Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Milford Sound e Te Anau

Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Milford Sound e Te Anau

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De Queenstown para Milford Sound

Queenstown e Milford Sound,  NZ
Sexta-feira, 28/03/2014

Levantei cedo para pegar o ônibus da excursão para Milford Sound as 7h10 na Athol Street no centrinho de Queenstown. Tudo escuro, pois o sol só nasce as 8h20. Como não lembrava o nome da empresa de turismo perguntei para o motorista do primeiro dos três ônibus que estavam estacionados na rua. Sorridente, perguntou meu nome e ao ver que meu nome não constava em sua lista foi até os outros motoristas e rapidamente achou meu nome. Agradeci e subi no ônibus correto.  Para mim era uma sensação curiosa estar em uma rua escura, conversando com pessoas desconhecidas e, mesmo assim, me sentindo absolutamente seguro. Lembrei de minha juventude em São Paulo, quando caminhava pelas ruas do Brooklyn de madrugada voltando de uma festa com a namorada e nos sentíamos, também, seguros. Bons tempos!

De Queenstown a caminho de Milford Sound.

De Queenstown a caminho de Milford Sound.

A viagem seria longa, pois, como podemos ver na imagem acima, precisaríamos contornar a parte sul dos Andes Neozelandeses passando por Te Anau para chegar a Milford Sound. Seriam 287 quilômetros para ir e igual distância para voltar. Logo ao sair de Queenstown cruzamos com alguns ônibus escolares pegando as crianças nas fazendas.

Te_Anau_1

Te Anau - pequena cidade com muitas atrações, como as cavernas com as minhocas brilhantes

Paramos em Te Anau, pequena cidade na beira do lago de mesmo nome. Extremamente limpa e bonita a cidadezinha é ponto de partida para várias excursões pela região, como passeios de barco e a visita às cavernas com as glowworms (minhocas brilhantes) mostradas nas imagens abaixo. 
Tomamos um lanche, esticamos as pernas caminhando pelas redondezas e voltamos para o ônibus.
No caminho para Milford Sound passamos perto do local da filmagem do filme O Senhor dos Anéis. Alguns quilômetros adiante o motorista parou em uma área ao lado da estrada e pediu para que o seguíssemos. Atrás das árvores  estava uma das paisagens mais lindas que já vi, os Mirror Lakes, lagos que espelham as imagens das montanhas. Vejam algumas fotos que tirei no local. 

mirror_lakes

Nesta parada conversei com uma família de sulafricanos que morava em Melbourne e passeava pela Nova Zelândia. Bons papos. Coletei mais informações sobre a cultura australiana.

Paramos a seguir para ver o The Chasm, em português abismo ou precipício. Trata-se de uma formação rochosa fortemente erodida pelas águas de um rio que passa literalmente por dentro da rocha fazendo dela um enorme queijo suíço com grandes buracos, como nas fotos abaixo. No caminho, pelo meio da floresta, a vegetação é muito bonita, com folhas grandes.

The Chasm - Rochas erodidas pela água dentro de um bosque.

The Chasm - Rochas erodidas pela água dentro de um bosque.

Continuamos a viagem e quando chegamos ao porto, em Milford Sound, a embarcação já estava nos esperando. Nosso navio era o menor no porto. Alguns eram muito grandes. Mas, o capitão informou que, por ser menor, poderíamos nos aproximar mais das margens.

WIlford Sound - Um belo passeio, mesmo em dia nublado.

WIlford Sound - Um belo passeio, mesmo em dia nublado.

Vimos golfinhos seguindo o barco, focas dormindo nas pedras, a cachoeira onde foi filmado Wolverine, árvores nascendo em rochas, montanhas escarpadas se debruçando sobre as águas límpidas com uma transparência e cor incríveis. O passeio durou pouco mais de uma hora.   A garçonete que atendia no bar do navio era uma simpática chilena em work vacation na Nova Zelândia. Ela serviu o almoço a bordo durante o passeio.

Como sabia que seria uma longa volta, mais 287 quilômetros, me interessei pela possibilidade de voltar de avião, pois finalmente sobrevoaria os Andes Neozelandeses. Mas, mais uma vez o tempo fechou e tive que voltar de ônibus.
Na volta, passamos por muitos trailers, motorhomes e campers estacionados na estrada. Apesar de existirem áreas destinadas para eles, se quiserem, podem estacionar em outros lugares sem problema algum, pois a segurança e infraestrutura permitem.

Saímos as 15h20,  e vimos um  kea, parecido com um papagaio, na estrada pedindo comida. Muito simpático e bonito como podem ver nas fotos abaixo.

kea_5

Kea - simpático pássaro neozelandês de 48 centímetros de comprimento, que esteve perto da extinção.

Fizemos só uma parada, novamente em Te Anau, das 17h00 as 17h20, e continuamos para chegar a Queenstown as 19h20. Um dia longo, mas muito bom!

Aproveitei para jantar no centro e voltei para arrumar a mochila e acertar um late checkout do hostel com o Dilton, o gerente, e a Paula, a argentina da recepção, afinal meu voo para Auckland só sairia no final da tarde e ainda queria fazer algumas atividades antes de partir.

Lição aprendida #33
A natureza sempre faz a sua parte. Serão ações do ser humano que construirão o futuro de um país. A Nova Zelândia entendeu que sua vocação natural é o Turismo, para isso se preparou e agora colhe os frutos.

Contraponto
Não sei por onde começar...ganância, ignorância, lideranças incompetentes, falta de inteligência, de vontade, falta de visão ou ausência de valores ... you name it ... o Brasil, teimosamente, insiste em concentrar sua economia em atividades que requerem muito investimento e não distribuem renda pela população como extrativismo e produção de commodities, necessárias, mas não únicas e continua enterrando sua vocação natural para o Turismo.
O Brasil ainda não fez, não faz e não pretende fazer a sua lição de casa enquanto assiste, bovinamente, a vaca indo para o brejo.

 

2 Comments

  1. A sensação de seguranca que você menciona ao estar numa rua escura conversando com desconhecidos e, sem sombra de dúvida, o que todo ser humano deveria sentir na presença de outros
    Parabéns pelo ótimo trabalho

    • Segurança está na base da hierarquia das necessidades humanas após as necessidades fisiológicas mostrada na Pirâmide de Maslow. Atualmente, o Brasil não supre adequadamente nem as necessidades básicas de seu povo.

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