Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Viajando pela Costa Oeste

Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Viajando pela Costa Oeste

Greymouth to Franz Josef, NZ

24/03/2014

O trem da TranzAlpine saiu de Christchurch às 9h10 e chegou em Greymouth às 13h25. Na própria estação ferroviária em Greymouth fui até o balcão da Apex Car Rental que, sem burocracia, com muita simpatia e presteza, entregou o carro reservado pela NZega que eu iria dirigir até meu penúltimo dia na Nova Zelândia - um Nissan Tiida sedan, ano 2013, automático (indispensável), cor prata - equipado com GPS. Pacientemente, o senhor que me atendia deu todas as informações sobre o veículo, regras de trânsito na Nova Zelândia, como agir em eventual emergência e telefones para contato.

Procurei me preparar mentalmente para o desafio de dirigir um veículo com a direção no lado direito do carro, trafegando pela “contramão” e ainda com 16 horas de fuso horário atordoando a cabeça. Mas, a viagem até Franz Josef foi bem tranquila. Foram 190 km percorridos em 2h30, com apenas uma parada para tirar fotos (veja abaixo) e esticar as pernas.

Lake Paringa - Parada para tirar fotos, esticar as pernas e apreciar a paisagem.

As estradas tinham pista simples, mão dupla, acostamentos estreitos, bom asfalto, bem demarcadas  e com boa sinalização. Não tinha como errar o caminho. Mas, seguindo a orientação do GPS, peguei uma pequena estrada até me deparar com um enorme trator vindo em sentido contrário e ocupando toda a estrada. O tratorista perguntou se eu estava seguindo o GPS. Respondi que sim e ele falou que muitos estariam entrando na fazenda porque o mapa do GPS estava desatualizado. Gentilmente, o tratorista mostrou-me como retornar e sugeriu que seguisse as placas colocadas na estrada.

Sendo meu primeiro dia dirigindo, fiquei muito atento no sentido dos carros. Umas poucas vezes me peguei mudando de pista e trafegando na contramão. Mas, dirigir na estrada é bem mais fácil do que na cidade, já que cruzei com poucos veículos nesses quase duzentos quilômetros iniciais.
Vejam no mapa abaixo que os Alpes Neozelandeses ficam bem próximos à costa oeste e a viagem é, em sua maior parte, feita com mar de um lado e altas montanhas do outro. O contraste e a beleza impressionam.

De Greymouth para Franz Josef pela Costa Oeste - perto do mar e da montanha

Greymouth para Franz Josef pela Costa Oeste - sempre perto do mar e da montanha

Cheguei à Franz Josef as 16h30 e, rapidamente, encontrei o hostel YHA. Instalei-me na espartana, mas ampla, suíte com vista para um pequeno, mas belo jardim (ver fotos abaixo).

Franz Josef - YHA hostel, suíte e vista pela janela.

Franz Josef - YHA hostel, suíte e vista pela janela.

Ainda estava claro e aproveitei para conhecer o centro de Franz Josef, que é minúsculo. O censo realizado em 2006 contou 330 habitantes!
Explorada pela primeira vez em 1865 pelo geólogo Julius von Haast, que a batizou em homenagem ao imperador austríaco, a cidade de Franz Josef é formada por um pequeno trecho da estrada pela qual eu havia chegado, uma rua paralela e três ruas transversais. Pela proximidade com as montanhas é o ponto de partida perfeito para várias excursões, trilhas e voos panorâmicos sobre os Alpes Neozelandeses.

Franz Josef - rodovia cruzando a cidade que fica à esquerda da foto. Montanhas e seus picos nevados ao fundo.

Estava esfriando e fui conhecer uma das atrações da cidade - as piscinas aquecidas. Decepcionei-me ao descobrir que não eram como as piscinas de Rotorua, naturalmente aquecidas pelos geisers. Em Franz Josef, as piscinas são de águas glaciais aquecidas por caldeiras. Paga-se NZD 25 por 45 minutos de banho. Apesar do ambiente ser bonito, com madeira e pedras (veja nas fotos abaixo) não achei que valeria a pena. Só tinha molecada exibindo seus corpos juvenis. Eu não iria desfilar meu corpinho sarado de backpacker para deixá-los com inveja. Rsrs

Franz Josef - piscinas aquecidas

Franz Josef - piscinas aquecidas com água glacial

Caminhando pela centrinho conheci um casal de australianos em férias que viviam no sertão australiano.  Norm, o marido australiano, comentou que a Nova Zelândia soube conduzir melhor a integração dos europeus com os maoris do que os australianos com seus aborígenes. Também comentou que, finalmente, os eurodescendentes reconheceram que tanto os aborígenes australianos como os maoris neozelandeses sabiam interagir melhor com a natureza do que eles e poderiam contribuir para a amenizar uma das grandes preocupações do mundo moderno: a sustentabilidade. Foi uma conversa muito agradável.

Como tudo era muito perto – e eu iria ficar por duas noites na cidade – fui fazer compras no supermercado pensando em preparar lanches na cozinha coletiva do hostel que ficava ao lado da sala de estar que tinha lareira, piano, mesas para lanchar ou jogar e vários sofás em frente à uma televisão.
Ao entrar na cozinha percebi que não precisaria ter comprado tantas coisas, pois muitos backpackers, para não carregar peso ou por não ter como conservar os alimentos durante suas viagens, ao deixarem o hostel, colocavam os alimentos que não iriam levar num local determinado para que outros pudessem ver e consumir. Fiz o mesmo ao sair, pois backpackers não desperdiçam nada e, sempre que possível, auxiliam outros colegas.

Na cozinha, com colegas de várias nacionalidades, preparei meu jantar enquanto conversávamos. Inicialmente eram só jovens, mas pouco a pouco foram chegando pessoas mais velhas. Percebi que, tanto aqui no YHA como no YMCA em Christchurch, havia encontrado apenas jovens ou pessoas da terceira idade. Concluí que casais com filhos pequenos optavam por hotéis convencionais. Esse ambiente multinacional, multicultural e de diferentes faixas etárias era muito agradável e acolhedor.
Fui dormir ansioso pelo dia seguinte quando sobrevoaria as montanhas de helicóptero. Mesmo passando muito frio a noite, pois uma falha elétrica não ligou o aquecedor central do hostel, dormi bem.

 

Lição aprendida #28
Como a diversidade cultural embeleza a viagem!
A troca de conhecimento é intensa e rica. Fica evidente que, havendo confiança entre as pessoas, o convívio é fácil e a colaboração ocorre naturalmente. Backpackers e turistas vindos de todos os cantos do mundo dão exemplos de civilidade, solidariedade, consciência ecológica e da importância de se evitar o desperdício de qualquer recurso. Poupam energia, separam o que pode ser reciclado, compartilham alimentos, auxiliam,  utilizam quartos coletivos, arrumam suas camas e colocam as roupas de cama e banho para lavar quando deixam o hostel.
Portanto, sem sobrecarregar ninguém, é possível viajar com baixo custo e, ao mesmo tempo, aproveitar a viagem para conhecer muito mais do que apenas os lugares visitados.

Contraponto
Valores, tradicionalmente considerados símbolos da sociedade brasileira - hospitalidade, simpatia, cordialidade, solidariedade, civilidade, amizade, alegria e respeito - não estão mais aparentes. Atualmente, os valores mostrados são, quase sempre, opostos. 
Ao deixar de ser acolhedor e seguro, o custo do turismo nacional aumentou e o intercâmbio cultural diminuiu.
E, assim, estamos ficando cada vez mais pobres, em cultura. Uma pena!

2 Comments

  1. Atitudes…são as atitudes que fazem um mundo melhor. Não se trata apenas de consumir mais e mais, mas ao contrário o que efetivamente muda é a atitude em relação à vida, as pessoas e as coisas.

    • Sim, atitudes fazem a diferença! E exemplos dados pelas lideranças valeriam mais do que mil palavras. Pena que tenhamos tão poucos bons exemplos vindo daqueles que conduzem o destino da nação.

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