Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Christchurch

Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Christchurch

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Christchurch, NZ
22/06/2014

Já instalado no YMCA (Young Men's Christian Association) equivalente à nossa ACM (Associação Cristã de Moços), almocei rapidamente uma sopa de ervilha com bacon e torradas, muito gostosa por sinal, no restaurante do hostel  e saí para conhecer a cidade. Iniciei pelo Museu de Canterbury, que ficava a menos de duas quadras do hostel, ao lado do belo jardim abaixo que faz parte do Jardim Botânico em foto panorâmica tirada com meu Smartphone Samsung Note II.

Museu de Canterburry - belo e bem cuidado jardim

Museu de Canterburry - belo e bem cuidado jardim

Bem organizado, o museu é dividido em várias áreas, uma delas com muitas informações importantes sobre o processo de integração dos europeus com os maoris, dos critérios utilizados para seleção das profissões requeridas para os emigrantes serem aceitos, da construção da identidade única nacional (veja o cartaz do hino "A Land of Our Own" na figura abaixo, dedicado às pessoas da Nova Zelândia)  e das primeiras atividades econômicas.

Museu de Canterburry em Christchurch.

Museu de Canterburry em Christchurch.

Inicialmente, uma das principais atividades econômicas foi a caça às baleias. O conhecimento dos maori foi de grande ajuda para saber onde e quando encontrá-las.  O objetivo principal da caça às baleias era aproveitar seu óleo para uso industrial ou geração de energia.

Museu de Canterbury - Whalers, caçadores de baleias e seu óleo

Museu de Canterbury - Whalers, caçadores de baleias e seu óleo

Como a arte está presente em todos os lugares nesse distante país, além da parte histórica havia várias salas com exposições interessantes de artistas modernos que iam de grandes paredes com graffitis à criativos desenhos, pinturas e esculturas. Veja alguns exemplos abaixo:

Museu de Canterbury e artistas contemporâneos

Museu de Canterbury e artistas contemporâneos

Em outra sala encontrei muitos exemplares da fauna neozelandesa. Entendi porque muitos pássaros não tinham asas: simplesmente, porque não existem animais predadores para persegui-los e, portanto, não precisam voar para fugir deles. A falta de uso das asas fez com que, com a evolução da espécie, elas fossem diminuindo por perda de função. Um país seguro até para as aves!
Vi também as inúmeras variedades de pinguins que existem e, novamente, me lembrei do filme "Happy Feet", pois todos os tipos que aparecem no filme estavam no museu. Veja a foto abaixo:

Museu de Canterbury -exposição da fauna

Museu de Canterbury -exposição da fauna

Saindo do museu fui conhecer a catedral da cidade, que havia sido parcialmente derrubada pelos terremotos em 2010 e 2011. No caminho passei por muitas casas típicas construídas em madeira no início da colonização. Fui informado que casas de madeira resistem mais aos terremotos do que as de alvenaria. As casas que vi ainda estavam inteiras apesar dos terremotos, como se pode ver na foto abaixo:

Christchurch - Casas históricas construídas em madeira no início da colonização

Christchurch - Casas históricas construídas em madeira no início da colonização

Christchurch, a  segunda maior cidade do país, tem 580 mil habitantes. Cerca de 15 mil deixaram a cidade depois dos dois terremotos, em Setembro e 2010 e Fevereiro de 2011. O estrago ocasionado pelos dois terremotos foi tamanho que a cidade ainda é um grande canteiro de obras. Parecia que Christchurch ia sediar Copa do Mundo de tanto investimento sendo feito em infraestrutura. Que inveja! Tinha mais obras em infraestrutura sendo feita na cidade do que em todo o Brasil. Que vergonha!
Na catedral o estrago foi bem grande e estão fazendo todo o possível para recuperar as partes que caíram. Algumas simplesmente desapareceram, como pode ser visto na foto abaixo:

Catedral de Christchuch - parcialmente destruída pelos terremostos

Catedral de Christchurch - parcialmente destruída pelos terremotos

Mas, quando a natureza pressiona o ser humano encontra soluções interessantes. Um bom exemplo da criatividade do ser humano é a catedral de papel. Esta curiosa construção já está substituindo a Catedral Anglicana parcialmente destruída pelos terremotos. Foi construída perto da catedral com uso intensivo de papelão reciclado. Tem capacidade para 700 pessoas e previsão para funcionar por 50 anos. Já se tornou outra atração turística da cidade pelo conceito inovador e beleza. Veja a interessante solução:

Catedral Anglicana - Feita em papelão reciclado.

Catedral Anglicana - Feita em papelão reciclado.

Outro impressionante exemplo de criatividade veio de lojistas que tiveram suas lojas destruídas nos terremotos e formaram um grupo chamado Re:Start (de recomeço) que, com muita criatividade, bom gosto, trabalho e economia, construiu, em tempo recorde, um shopping center que ficou conhecido com Container City.
Utilizando contêineres vindos nos navios ergueram um simpático, prático e agradável shopping center que se transformou em mais uma atração turística para a cidade. No shopping estão presentes várias lojas, inclusive de grandes marcas, bancos, agências de turismo, restaurantes, lanchonetes.
Veja nas imagens abaixo que solução fantástica (clique nelas se quiser ampliar e ver melhor, vale a pena)

Shopping Container City (ou Re:Start) - criatividade para superar situações adversas com bom gosto e economia

Shopping Container City (ou Re:Start) - criatividade para superar situações adversas com bom gosto e economia

Mais fotos:

Container City - detalhes das lojas

Container City - detalhes das lojas

Mesmo sendo The Shaky Isles, após os terríveis terremotos, agindo com rapidez e inteligência, a Nova Zelândia conseguiu criar novos pontos de interesse e aumentar o número de turistas, fortalecendo sua economia e melhorando a qualidade de vida de sua sociedade. Que inveja!

Lição aprendida #22
"Mais vale acender uma vela do que bradar contra a escuridão!"
"Faça do limão uma limonada!"
Todos conhecemos as duas frases acima e muitos as utilizam com frequência.

Mas, conhecer e falar é muito diferente de aplicar em suas vidas.
Talvez o povo neozelandês nem conheça essas duas frases, mas seus conceitos são aplicados diariamente em suas vidas.
Não se lastimam, trabalham!
 Não choram perdas passadas, focam sua energia na administração do presente e na construção do futuro!
E, sem reclamar, fazem do azedo limão uma doce limonada!

Contraponto
Enquanto perde-se tempo e energia constituindo:
- Comissão Nacional da Verdade para levantar fatos ocorridos, ou não, há quase 50 anos atras no período da ditadura militar,
- Comissão para verificar se o acidente de carro, ocorrido em 1976, que vitimou Juscelino Kubitschek (presidente de 1956 a 1961)  foi real ou planejado,
- Comissão para descobrir se o ex-presidente Jango Goulart (deposto em 1964 e falecido em 1976), teve morte natural ou foi assassinado,
Ficamos olhando para trás e não percebemos o presente e não nos preparamos para o futuro que se aproxima velozmente.

A sociedade brasileira está profundamente adoecida!!
Precisamos acordar! Veja o número crescente de assassinatos, 50 mil em 2011, 56 mil em 2012 e 70 mil em 2013, o número absurdo de mortes no trânsito, com mais de 50 mil mortos todos os anos, a indesejável liderança no consumo de drogas licitas e ilícitas, como álcool, crack e cocaína, a corrupção e otras cositas mas.
Se não nos importamos com nossa situação presente, que futuro construiremos para esse país?

Mesmo sem os desafios impostos pela natureza, como a Nova Zelândia, temos também uma bacia enorme repleta de limões. O que fazer com eles? Só existem duas opções;
1. "Bradar contra a escuridão", isto é, chorar, lastimar, reclamar de nossa injusta situação, de um passado inglório e colocar a culpa nos outros, até em Deus, ou
2. "Acender uma vela", ou seja, pensar, planejar e trabalhar!

Lembre-se sempre:
Assim como a vela não se acende sozinha, não se faz do limão uma limonada sem TRABALHO!
Capisce?

8 Comments

  1. Ajudaria muito, se cada um de nós deixasse de olhar apenas para o próprio umbigo. E com isso, entender que, mesmo diferentes, ricos ou pobres, negros ou brancos, o país pertence a todos e todos devemos contribuir para fazê-lo saudável, seguro e feliz.

    • Desunidos nada conseguiremos. E é exatamente o que tem sido semeado: desunião.

  2. Tomara q o nosso pós-terremoto, provocado pelas nossas placas tectônicas “PT”, seja como o deles… q o nosso povo consiga reconstruir as ruínas deixadas e faça do limão uma doce limonada…

  3. Adoro os posts e extrai lições apreendidas muito boas. Parabéns pela iniciativa!

    • Obrigado, Ana Carla. Espero continuar agradando. rsrs
      Gostaria que todos ao viajar pudessem perceber, captar as inúmeras mensagens que estão no ar…
      Amanhã, quinta-feira, tem mais. Ate’ la!

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