Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Chegando à Ilha Sul

Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Chegando à Ilha Sul

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Rotorua e Christchurch, NZ
22/03/2014

Acordei cedo e fui direto para o aeroporto, pois meu voo era as 09h50. O dia estava lindo e fui caminhando para ponto de ônibus que ficava a  apenas dois quarteirões do hostel. Já havia visto os horários de saída dos ônibus e cheguei com boa antecedência.

A caminho do aeroporto. Despedindo de Rotorua numa linda manhã.

A caminho do aeroporto.
Despedindo de Rotorua numa linda manhã.

Enquanto esperava lendo as manchetes dos jornais e os cartazes colocados no ponto, um maori, que parecia ser quase um mendigo, me ofereceu um jornal, provavelmente esperando uma esmola, e perguntou de onde eu era.
Ao saber que eu era brasileiro, sua expressão passou a ser de comiseração e suas primeiras palavras foram "Brasil ... Copa do Mundo ... quanta corrupção  (silêncio) ... e a violência no Brasil? Como cresceu! Quantas mortes nas cidades brasileiras!". E para minha surpresa aquele maori começou a discorrer sobre a atual realidade brasileira com fluência e clareza, apresentando vários dados sobre a produção agropecuária e mineral brasileira. Ao final da conversa tive a nítida impressão de que ele gostaria de dar uma "esmola" para me ajudar a enfrentar os sérios obstáculos impostos pela "triste realidade brasileira". Os papéis foram trocados!

Achei muito interessante encontrar um quase mendigo na Nova Zelândia que conhecia mais sobre o Brasil do que a grande maioria da população brasileira. A conversa com o maori me lembrou de outras conversas que já havia tido nesta viagem - todas tinham em comum Brasil, corrupção e violência.

Relembrando o passado, percebi uma grande mudança em relação às minhas viagens para o exterior há 10 ou 15  anos atras. Naquela época, sempre que descobriam que eu era brasileiro, imediatamente começavam a falar de futebol, samba, caipirinha, fórmula 1, tênis, feijoada, bossa nova, praia, sol ... os assuntos de sempre. Já nesta viagem, invariavelmente, a associação era imediata entre Brasil, corrupção e violência.
Confesso que comecei a me sentir meio envergonhado. Pôxa! Até um quase mendigo conhecia e revoltava-se com a realidade brasileira!!

Indo de ônibus para o aeroporto de Rotorua

Indo de ônibus para o aeroporto de Rotorua

A conversa estava boa (um pouco depressiva, confesso), quando o ônibus chegou e tive que me despedir de meu amigo maori. Como sempre o motorista era um bombril - mil e uma utilidades. A caminho do aeroporto conversei com um músico australiano que estava indo assistir um show do Bob Keys, saxofonista de vários grupos inclusive dos Rolling Stones. É ele quem faz o solo da música Brown Sugar dos Stones, o melhor solo de sax em rock'n'roll que eu conheço. É sempre muito bom falar sobre música e músicos.

No aeroporto, como um bom backpacker, fiz rapidamente meu check in nas máquinas automáticas e fui tomar café enquanto trocava mensagens com as filhas, amigos e, obviamente, com o neto.

Embarcando para a Ilha Sul

Embarcando para a Ilha Sul pela Air New Zealand

O voo saiu 09h50, e pude fotografar inúmeras crateras de vulcões, a maioria extintos. As 10h40 aterrizamos no aeroporto de Wellington, que fica na face sul da Ilha Norte. Wellington é a capital oficial da Nova Zelândia e reconhecida pelos jovens como a única cidade neozelandesa com vida noturna. O aeroporto fica ao lado do mar. Após 50 minutos de espera, as 11h30, estávamos finalmente deixando a Ilha Norte. Sobrevoando um mar lindo, azul e transparente entre as duas ilhas dava para ver toda a topografia  do fundo do mar de tão cristalina que a água era.

Vista aérea da Ilha Sul: Finalmente!

Vista aérea da Ilha Sul: Finalmente!

Descemos em Christchurch as 12h10. No aeroporto, apenas segui as placas indicativas e cheguei ao ponto do ônibus que me levaria para a cidade. O bilhete custou NZD8,00.

Como o ônibus só sairia em 15 minutos, aproveitei esse tempinho para conversar com o motorista, um senhor de 68 anos. Muito simpático e atencioso, ele contou que viajava constantemente pelo mundo todo e conhecia vários países inclusive o Brasil. Disse que em Julho próximo, iria com um grupo de amigos para Manaus, indo a seguir para o Equador e depois para Galápagos. Em outras ocasiões, visitando países da América Latina, havia estado no Brasil  e conhecido as cidades de São Paulo e Porto Alegre. Ao saber que ele viajava ao menos uma vez por ano para o exterior, perguntei se ele teria alguma outra fonte de renda alem da profissão de motorista de ônibus e ele, surpreso, respondeu que não, que como motorista ganhava NZD2.000 por semana e, com planejamento, podia viajar bastante que ainda sobraria. Que diferença de poder aquisitivo ... e de cultura!

O ônibus me deixou bem perto do hostel YMCA (lembra-se da música?). O motorista gentilmente sugeriu uma curta caminhada por um parque muito bonito para chegar ao hostel. Aceitei sua sugestão e não me arrependi.

O bom quarto no YCMA Christchurch e os grafittis vistos pela janela.

O bom quarto no YCMA Christchurch e os grafittis vistos pela janela.

Lição aprendida #21
O mundo torna-se, cada vez mais, apenas uma aldeia global.
Não se pode, não se deve, nem há como esconder mais nada de ninguém.
A transparência passa a ser compulsória.
As palavras de ordem são ética e valores morais, pois, mais dia menos dia, todos irão saber quem você é.

Contrapartida
Ao contrário do que se alardeia no Brasil, a boa imagem do país está sendo sistematicamente destruída pelo mundo afora.
As mídias internacionais divulgam com muito mais clareza e discutem com muito mais objetividade os problemas que são ocultados dos brasileiros.
Em um mundo globalizado e aberto, por não reconhecer e enfrentar seus problemas, o Brasil continua a perder importância no mercado internacional. Mais que isso, o Brasil está perdendo a confiança do mercado internacional.
Com muita tristeza percebi que, em certos assuntos, o Brasil está virando motivo de chacota, como ser chamado de "anão diplomático" e de muitas outras coisas.
Afinal, quando até um mendigo neozelandês já sabe que não somos confiáveis é porque "estamos muito mal na fita".

Mas, como venho alertando:
"Só no Brasil fundo-do-poço tem subsolos", ou seja, aqui sempre dá para piorar um pouco mais.

Até a próxima quinta-feira!
E não desanimem.... buááááááááá! (Desculpem, não consegui me conter)

2 Comments

  1. Pelas reportagens postadas, acho que a NZ é meu próximo destino turistico.
    Culturalmente, percebe-se que os brancos colonizadores, não fizeram tantas bobagens como em outros lugares como no continente americano, Brasil no meio.
    Os Maoris foram integrados à sociedade, mas não compulsoriamente.

    • Alguns erros foram cometidos até a década de 50, quando foram corrigidos e assumiram a postura reinante atualmente.
      Hoje a NZ é o destino perfeito para quem fazer turismo. Como disse um amigo meu “Compre uma passagem para a Nova Zelândia e decida lá mesmo o que quer fazer”. Simples assim.

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