Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Rotorua

Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Rotorua

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Auckland e Rotorua, NZ
Sexta-feira, 21/03/2014

Levantei as 5h00 e as 6h00 e fui direto pegar o Airbus Express na Queen Street. Durante o trajeto para o aeroporto conversei com um australiano que morava em Auckland e era casado com uma kiwi. Ele retornava para Sidney para ver os avós. Portanto, conheci neozelandeses vão trabalhar na Austrália e australianos vão trabalhar na Nova Zelândia. Pesquisando no smartphone durante o trajeto, descobri como comprar o livro perdido pela internet. Fiquei um pouco mais tranquilo.
No aeroporto de Auckland para orientar passageiros e turistas havia um grupo de voluntários da terceira idade que prestavam um excelente atendimento. Dava gosto ver como atendiam, cuidavam, encaminhavam, ajudavam, orientavam, acompanhavam, sempre com um sorriso no rosto.
Como não tinha bagagem para despachar (a mochila pesava 6,5kg e o peso máximo era  7,0kg) fiz o check in apenas escaneando o QR code na máquina no hall do aeroporto. Afinal, sou um backpacker!

Cereais, geléia de frutas vermelhas e creme, com bastante água (NZD18,50)  foi o meu desjejum.
Antes de embarcar fiquei conversando sobre energia com um especialista americano do Colorado, que conheci depois de sermos delicadamente impedidos de entrar na área de embarque. Explicaram que a área era tão pequena que só seria permitido o acesso 15 minutos antes do voo sair. E, realmente, era muito pequena, sem ar condicionado, sem cadeiras, sem nada. Apenas um "corredor de lata" com acessos para os aviões. Típica estrutura usada para curtos vôos regionais.

O especialista americano conhecia bem o Brasil e alertou para o erro que está sendo cometido ao investir na construção de usinas hidroelétricas em regiões distantes dos centros de consumo. Explicou que a tendência mundial é de pulverização das fontes de geração para que fiquem cada vez mais perto dos pontos de consumo, pois os custos de transmissão e distribuição podem ser maiores do que o de geração. Comentou que fontes alternativas, como energia solar ou eólica, estão cada vez mais competitivas e tem sido prioridade em muitos países. Insistiu que, do modo como está investindo o Brasil terá a energia mais cara do planeta e perderá competitividade afastando investimentos que irão fazer falta para fechar a balanca comercial do país. Eu, que já tinha ouvido tudo isso de um especialista da EDP (Energia de Portugal, uma das maiores empresas do setor de energia do mundo), apenas concordei e embarquei.

Auckland-Rotorua: Aeronave e a visão de minha janela. Impossível não filmar!

Auckland-Rotorua: Aeronave e a visão de minha janela. Impossível não filmar!

O avião era um turbo-hélice com a asa na parte superior do corpo do avião (foto acima). Da minha janela podia ver perfeitamente o trem de aterrizagem que saía da parte inferior da asa. Não poderia perder essa oportunidade única de mostrar para meu neto de cinco anos, Henrique, as hélices girando e como as rodas do avião aparecem e desaparecem, sua pergunta sempre que via um avião levantar voo. Coloquei o celular em modo avião para não interferir com a comunicação da aeronave e, discretamente, para não ser repreendido, filmei o avião decolando até as rodas serem recolhidas.

Do avião pode-se ver a concentração de grandes edifícios apenas no centro da cidade.

Do avião pode-se ver a concentração de grandes edifícios apenas no centro da cidade.

Assim que o avião começa a subir pode-se perceber  que Auckland, exceto por sua região central onde estão concentrado os grandes edifícios, é uma cidade horizontal com poucos prédios.

Saímos de Auckland as 8h30 chegamos a Rotorua as 9h10. Rotorua fica no sul da Ilha Norte, mas ainda não era na Ilha Sul. Tem um aeroporto pequeno, mas muito bonito e limpo. Procurando um meio de transporte para o meu hostel me deparei com uma placa  curiosa: "Shuttle para a cidade, fale com o motorista lá fora".

Seguindo a instrução da placa fui para fora do aeroporto. Estava procurando pelo ponto do shuttle quando uma simpática senhora me disse para não esperar o shuttle, pois seria mais caro e mais demorado. Aconselhou-me a pegar o ônibus comum que passaria em 15 minutos e custaria só NZD 2,50. Fui nessa!
Enquanto aguardava pelo ônibus, conheci um casal de brasileiros de Belém do Pará e conversamos bastante. Eles iam para o Ibis.  Expliquei que, como viajava sozinho havia decidido ficar em hostels e eles, prontamente, concordaram contando que em apenas um dia que ficaram hospedados em um hostel tinham conversado com mais pessoas do que em uma semana em hotel. Comentaram que, em Queenstown, não haviam gostado do Shootover, um passeio radical de lancha. Achei estranho, pois havia recebido várias recomendações. Checaria essa informação quando chegasse à Queenstown. Nos despedimos imaginando que, como também estavam viajando pela NZega, poderíamos nos encontrar novamente em Queenstown.

Quando o ônibus chegou falei com o motorista e ele me deixou na esquina da rua do hostel YHA Rotorua. Caminhei até o hostel impressionado com a beleza do lugar. A árvore em frente ao meu hostel na foto abaixo é apenas um exemplo da beleza do lugar.

Rua do meu hostel. Linda como todas as outras em Rotorua.

Rua do meu hostel. Linda como todas as outras em Rotorua.

O hostel era simples, mas limpo, uma suite espartana sem TV, mas que tinha tudo o que precisaria.  Desde a recepção aos serviços de quarto todos eram muito atenciosos.

YHA Rotorua - Seu primeiro hostel você nunca esquece.

YHA Rotorua - Seu primeiro hostel você nunca esquece.

Cheguei e já tinha compromissos agendados. Das 12h30 as 15h40 teria o tour para Wai-O-Tapu (wai=água, Tapu=secreta). Deixei a mochila no quarto e fui comer alguma coisa porque não teria mais tempo até o jantar típico marcado para a noite. No restaurante que escolhi todas as cadeiras tinham frases. Vejam algumas abaixo:

Cadeiras com frases criativas no restaurante em Rotorua

Cadeiras com frases criativas nas cadeiras do restaurante em Rotorua

No caminho passamos pelo parque Te Puia com seus geisers bem ao lado da estrada.
Enquanto dirigia o motorista ia dando informações sobre a cidade. A maioria das casas na cidade são construídas em madeira. Rotorua tem 16 mil habitantes, sendo 4 mil urbanos.  O país tinha 35 milhões de ovelhas e Turismo era a principal fonte de receita não só da cidade, mas também do país. Na cidade havia rios aquecidos naturalmente com oferta de banho gratuito.

Chegamos ao parque Wai-0-Tapu. Repleto de crateras, sons de barro borbulhando, cheiro de ovo podre, pedras de várias cores, tudo formado por erupções vulcânicas. Salas com banhos quentes. Mostram apenas uma pequena parte do parque. A parte restante era fechada para o público por segurança. Placas como a mostrada no canto superior esquerdo da figura abaixo, mostram que a Nova Zelândia está localizada bem em cima do encontro de duas placas tectônicas. Por isso, terremotos e erupções vulcânicas podem ser frequentes, principalmente, terremotos. Soube que havia ocorrido um pequeno terremoto na cidade no dia anterior as 07h00!

Wai-O-Tapu: Explicação da expressão The Shaky Islands. Solo a 100 graus Celsius. Mil cores.

Wai-O-Tapu: Explicação da expressão The Shaky Isles. Chão a 100 graus Celsius. Mil cores.

A maioria das estradas neozelandesas são vias de mão dupla com pouco acostamento, bem conservadas, limpas e com asfalto perfeito. No caminho de volta para o hostel YHA passamos por propriedades rurais de vários tamanhos, todas muito organizadas, limpas e com belas casas. Pecuária é uma importante atividade econômica do país com grandes rebanhos de bois, ovelhas e cervos. Laticínio é uma das maiores atividade.

Parque Wai-O-Tapu: mais imagens

Parque Wai-O-Tapu: mais imagens

Lição aprendida #19
O ser humano só evolui quando pressionado. Na Nova Zelândia,  conhecida como The Shaky Isles, a natureza faz a sua parte mantendo toda a população unida e em permanente estado de atenção para lutar contra os imprevisíveis terremotos, maremotos, furacões ou erupções vulcânicas. 

É uma batalha sem fim e para vencer todos os recursos disponíveis deverão ser usados: as palavras de ordem “Unidos venceremos” e “Precisamos estar sempre preparados!” estimulam a identidade nacional única e a melhoria contínua.

Contraponto
Ao permitir que os brasileiros fiquem “deitados eternamente em berço esplêndido”, sem grandes preocupações, exceto as previsíveis secas e inundações que ocorrem todos os anos nos mesmos lugares e com datas marcadas, a "preguiçosa" natureza brasileira “não está estimulando” a educação nem a união do povo brasileiro.

Na ausência desses estímulos da natureza, é papel da liderança do país alertar a sociedade para as ameaças que pairam sobre seu país estimulando o uso do potencial humano para a busca da melhoria contínua, da produtividade, da inovação.
Mas, o que vemos nos últimos anos no Brasil? Um eterno "dourar a pílula", que não aceita e até proíbe críticas,  nem veicula notícias ruins, apenas fatos positivos, mesmo que para isso seja preciso deturpar a notícia, omitir ou adulterar os fatos.
Sem falar nos efeitos nocivos do Complexo de Branca de Neve de nossos atuais governantes. Mas, o que é "Complexo de Branca de Neve"?
Vou explicar. Sabem porque a Branca de Neve sempre se destacava? Porque só andava com anões!
Assim são nossos governantes que só comparam o desempenho brasileiro com países do terceiro mundo, pobres ou problemáticos.
O objetivo de tudo isso é claro: Evitar o despertar da população brasileira para sua realidade.
Talvez a dramática eliminação da Copa do Mundo para um país do primeiro mundo por humilhantes 7x1 ajude a despertar o anestesiado povo brasileiro. Realmente, espero que sim.

Até a próxima quinta!

1 Comentário

  1. Realidade pura….os brasileiros estão ficando todos muito acomodados.

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