Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Melbourne, primeiro dia ainda

Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Melbourne, primeiro dia ainda

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Melbourne, AU
Terça-feira, 18/03

Tudo o que descrevi no post anterior referia-se apenas ao que vi, e tive que assimilar, até as 11h00 da manhã! Neste post vou tentar contar o que aconteceu nas horas restantes desse dia. Vamos lá. Continuando o tour visitamos uma galeria que lembra muito, em escala menor, a Galeria Vittorio Emanuelle, em Milão.

A mini galeria Vittorio Emanuelle

A mini galeria Vittorio Emanuelle

Eram várias lojas interessantes, mas uma que chamou a atenção do nosso grupo foi  uma casa de chá fundada em 1892 com um doces apetitosos na vitrine. Para um grupo que já estava andando há quase três horas aquela vitrine era um tentação.

Hopetoun Tea Room: Uma tentação em Melbourne

Hopetoun Tea Rooms: Uma tentação em Melbourne desde 1892

Atravessamos a galeria e adentramos por uma ruela em uma zona que já foi considerada a mais perigosa de Melbourne e, hoje, está repleta de pequenos restaurantes e cafés. Muitas paredes nessas pequenas vielas são cobertas por criativos graffitis.

Antiga zona perigosa transformada em atração turística

Antiga zona perigosa transformada em atração turística

Meu tour pela cidade terminou no Queen Victoria Market, bem perto do hotel. Lá tem de tudo, de alimento a vestuário e eletrônicos (comprei película protetora para a tela do meu celular por AUD 5,00 (R$10 lá e  R$15 na Santa Efigênia). Comprei algumas frutas, todas bonitas deliciosas. Comi algumas, deixei outras no hotel e voltei para as ruas de Melbourne.

Melbourne é considerada a cidade mais importante da Austrália por ser a capital do mercado financeiro, da cultura, dos esportes e da Street Art.  Recebe, anualmente, visitantes de  230 países que falam 180 idiomas diferentes! A longínqua Melbourne recebe anualmente mais de um milhão de turistas estrangeiros e mais de 7 milhões de australianos (O Brasil, com mais de 5.500 cidades, recebe 5 milhoes de turistas estrangeiros por ano). A diversidade cultural dos visitantes nutre a cidade que, para recebê-los, mantém-se impecável.  É proibido fumar na maioria dos locais, inclusive nas praias. Uma campanha permanente avisa que a "Austrália não é o seu cinzeiro!". E, realmente,a limpeza das ruas chama a atenção.

A atividade seguinte em meu programa do dia era conhecer o Museu de Melbourne. Não era muito longe do hotel e fui caminhando apreciando os diferentes projetos arquitetônicos até o museu que ocupa um grande quarteirão. O prédio mais velho estava em reforma, mas mesmo assim era imponente. O prédio novo é muito moderno utilizando vários recursos tecnológicos para apresentar suas atrações.

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Museu de Melbourne: a direita prédio antigo em reforma e a direita o prédio novo.

Ao entrar chamou minha atenção uma sala enorme com esqueletos de animais pré-históricos. O que mais me impressionou foram visores que os visitantes podiam utilizar para ver os animais. Fiquei curioso para saber porque alguém olharia pelo visor se o esqueleto estava bem a sua frente? Fui até um dos visores e, para minha surpresa, ao olhar pelo visor o esqueleto ia sendo gradativamente revestido de sua pele original e começava a se movimentar em seu habitat. O pterodátilo, por exemplo, após recuperar sua pele, começava a voar e ia alimentar seus filhotes nos ninhos  encrustados nas montanhas. Muito didático e interessante!

Museu de Melbourne: Os esqueletos e os visores

Museu de Melbourne: Os esqueletos e os visores

Nesta grande sala existem verdadeiros tesouros arqueológicos e poderia ter ficado muito mais tempo por lá. Mas, sabendo que meu "gás poderia acabar" , saí a procura de informações sobre a história mais recente do país, antes que o sono e o cansaço me abatessem.
O acervo que encontrei sobre o passado da Austrália era enorme. Havia salas com antigas embarcações usadas por maoris e polinésios para navegar até a Austrália, como a mostrada abaixo. As velas eram muito bonitas e bem feitas.

Embarcação usada pelos polinésios para navegar. Vejam as velas.

Embarcação usada pelos polinésios para navegar. Vejam as velas.

Aprendi que a colonização de Melbourne foi muito parecida com a do Oeste americano. No modo e no tempo. Desde a corrida para o ouro ao uso de carroças. A última wagon (carroça), puxada por 4 ou 5 cavalos, deixou de ser usada em 1916.

Em uma das salas assisti à um interessante  filme em que um senhor de idade, filho de aborígenes contava sua história. Explicava como ele e seus cinco irmãos, ao perderem seus pais em uma das inúmeras guerras entre tribos, foram recolhidos pelos “brancos” que passaram a cuidar deles. Seu depoimento é lúcido e emocionante:
"Fomos encaminhados para  um orfanato onde recebemos três coisas essenciais: alimentação, um lugar para morar e, principalmente, uma boa educação. Dois de meus irmãos fugiram do orfanato e, sem terem recebido educação, tornaram-se alcoólatras e morreram cedo envolvidos na criminalidade.  Hoje sou um cidadão australiano bem sucedido, com filhos e netos que me dão muito orgulho".

Quadros mostram as muitas nações que iriam formar um único país

Quadros mostram as muitas nações que iriam formar um único país

A utilização da educação como instrumento para a realização pessoal do cidadão, para a construção de um país sem desigualdades e de uma única identidade nacional ocorreu em toda a história do país.
Aprendi que a Austrália não fez um acordo com os aborígenes como a Nova Zelândia fez com os maoris (como o Tratado de Waitangi assinado em 1840), mas, mesmo sem nada escrito, o tratamento foi semelhante. Houve erros e acertos, mas a preocupação com a redução das desigualdades entre as diferentes "nações" para a criação de uma identidade nacional única prevaleceu. Sabem que ainda há muito para ser feito e, como os neozelandeses (lembra-se da machete do The New Zealand Herald?), preocupam-se com isso.

Encontrei uma sala que apresentava filmes com muitas informações sobre a história da Austrália nas décadas de 20, 30 e 40. Os filmes eram muito bons. Comecei assistindo os filmes das décadas de 20 e 30, mas sentado olhando a tela ... hmmm...isso não vai dar certo... o sono era demais!! Juro que tentei, mas não consegui ver todos os filmes. Não podia dormir! Precisava entrar no fuso horário. Melbourne tem duas horas a menos do que Auckland, mas 14 ou 16 horas não faz a mínima diferença. Para não dormir, saí e fiquei caminhando pelas ruas do centro. O zumbi brasileiro! Acabei lanchando no McDonald's da esquina da Swanston. A escolha frequente do McDonald's era mais pela internet grátis, já que o pacote em meu celular só dava acesso à internet na Nova Zelândia, do que pelo cardápio. Mas, não posso reclamar, o McDonald's quebrava um bom galho. Fácil de escolher e rápido no serviço.

Mesmo muito cansado era difícil dormir muito. Nesta noite, caí na cama as 19h30, mas acordei 01h30 e fiquei enrolando. Liguei a TV  e fiquei vendo programas que debatiam os mesmos temas discutidos no Brasil, mas em nível muito superior. Reflexo claro do maior nível cultural. Por exemplo, discutiam a importância em separar religião e poder político, mas sem paixão. Apenas mostravam que, independente do apoio espiritual dado pela religião, era importante avaliar como as diferentes religiões influenciavam no desenvolvimento sócio- econômico de seus seguidores. religião na Austrália é diversificada, não havendo uma religião oficial do Estado. O estabelecimento de uma religião oficial é proibido pela Constituição australiana.
A religião com maior número de seguidores na Austrália é a Católica Romana, seguida pela Anglicana. Essa informação joga por terra a teoria simplista de que foi a religião católica que impediu o crescimento da América Latina.  O debate na TV estava bom, mas não resisti e ... d
ormi novamente.

Lição aprendida #8
Cultura sem Educação nada semeia.
Educação sem Cultura pouco floresce.
Educação com Cultura muito frutifica .

Museus são repositórios de Cultura. Portanto, imprescindíveis.

Contraponto
"O que museu tem a ver com Educação?"
A frase acima, dita este ano pelo, então, ministro da Educação e atual "exportador de pizzas", Aloizio Mercadante, mostra a enorme distância que nosso país está dos países do primeiro mundo. E como nossos governantes não sabem como funcionam os processos educacionais e de disseminação de cultura. Minha dúvida: Ignorância, ingenuidade, incompetência ou má intenção?

Os resultados do exame PISA (Programme for International Student Assessment - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) têm mostrado que o desempenho de nossos estudantes piora continuamente em relação aos estudantes de outros países. Mas, a sociedade, que deveria estar cobrando melhores resultados, sequer consegue entender os números mostrados no relatório do PISA..

Segundo o último Pisa, apenas um em cada 200 alunos alcançou proficiência e consegue, por exemplo, compreender textos com formato e conteúdo que eles não conhecem, ou analisar textos em detalhes. Somos, portanto, uma legião de analfabetos funcionais facilmente enganada por comunicações oficiais grosseiramente manipuladas.
Não acredita? Então veja esse exemplo:
A notícia original:
          "Educação: De 2012 para 2013, o Brasil caiu da 57a. para 58a. posição entre 65 países".

Como foi dada esta notícia pelo ministro da Educação em rede nacional?
          "De 2003 a 2013, a nota em Matemática subiu de 356 para 391" .
Falou a verdade? Sim. Mas, não contou que a pontuação máxima em matemática é 1000 e, portanto, o desempenho brasileiro continua sendo medíocre. E, em momento algum, informou que o país havia caído mais uma posição no ranking mundial.

A quem a manutenção desse desempenho medíocre poderia interessar? Vou repetir:
Quando o povo é inculto, os espertos vencem e perpetuam-se as desigualdades!

Até nosso próximo encontro no dia 16/06

 

2 Comments

  1. Essa arquitetura Vitoriana é linda, gosto demais !!!
    Sobre os aborígenes, minha filha fala sobre a integração deles c/ a sociedade, modo de vida e outras curiosidades interessantes, mas longas p/ eu escrever aqui…
    Achei interessante o q escreveu sobre a religião Católica e a América Latina, mas penso q a influência positiva ou negativa de uma religião sobre um povo, amarrando o seu tema…rs, depende mais da cultura e dos interesses de quem prega, do que aquilo que está nas Escrituras p/ ser pregado, não acha? É aí q mora o perigo…
    Sobre o PISA, é mais um absurdo q acontece… com tanta gente super competente, séria e bem intencionada na área da educação q teria condições p/ dar uma virada na situação, mas não consegue…q dirá nossa sociedade, leiga no assunto, grande parte analfabeta funcional e q nem imagina o q a sigla signifique…os responsáveis deitam e rolam…é triste, muito… Continue fazendo a sua parte, seus posts de alguma forma, vão contribuir sim p/ q outros olhos sejam abertos…

    • Como poderá ver no post da próxima quinta-feira, a construção de uma identidade nacional única é estrutural para a sociedade australiana, mesmo que isso não tenha sido, e ainda não seja, fácil.
      “A Bíblia nos une, sua interpretação nos separa”. O desenvolvimento sócio econômico de alguns países pode depender de como a religião é usada, não dos preceitos morais que difunde. Portanto, concordo com você, Tê.

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