Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Chegando à Nova Zelândia

Lições Aprendidas na Austrália e Nova Zelândia: Chegando à Nova Zelândia

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Auckland, NZ
Domingo, 16/03/2014

Saí do Brasil no início da tarde da Sexta-feira, dia 14, e aterrisei no aeroporto de Auckland (foto inicial) na manhã do Domingo, dia 16. Pela diferença de fuso horário, 16 horas adiante, perdi quase um dia nessa viagem e o Sábado, 15/03/2014, literalmente, não existiu em minha vida.

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A caminho de Customs (Migração) passei por grande cartaz (acima) dando boas vindas ao país. O que me surpreendeu foi ver o idioma Maori precedendo o Inglês e em letras maiores.

Na migração fui submetido à uma longa entrevista. Perguntaram qual seria meu roteiro, olharam as passagens, reservas, quiseram saber o que eu iria fazer na Nova Zelândia, por que iria para Melbourne e voltaria em apenas três dias, alem das perguntas de praxe. Respondi que, como professor, iria pesquisar porque cinco cidades nos dois países estavam entre as dez melhores para se viver no mundo, sendo Melbourne a primeira do ranking.

Papelada OK e aprovado na entrevista, fui encaminhado para que revistassem minha bagagem. Mostraram que tudo estava sendo filmado e pediram para que eu esperasse sentado enquanto revistavam as malas. Fiquei aguardando.
Vi que esvaziaram toda a minha mochila e carteira e passaram um papel sensitivo.  Fiquei esperando uns 15 minutos e, curioso, fui perguntar se estava tudo certo. O oficial me informou que o papelzinho havia detectado "resquícios de cocaína" em minha mochila. Assim que ele falou comecei a rir. Como assim?! O oficial não entendia meu bom humor. Falei para ele que se meus filhos soubessem eu estaria frito. E continuei a rir. Ele, sério, perguntou se a mochila era mesmo minha, se eu não teria deixado a mochila sozinha ou emprestado para alguém. Respondi que havia comprado a mochila para essa viagem, mostrei o código de barra ainda grudado na mala comprovando que era nova e confirmei que ela tinha ficado o tempo todo comigo. Pedi para que fizesse novamente a inspeção com o papelzinho sensitivo. Ele relutou, mas fez o teste novamente e, dessa vez, nada foi constatado. Talvez algum produto químico usado na confecção da mala tivesse desorientado o papelzinho. Ou estavam apenas simulando para ver minha reação. Não sei.

Nada constatado, fui liberado, mas ainda continuei conversando com meu novo amigo, o oficial. Eu havia começado a fazer uma pergunta para ele, mas interrompi. Perguntava como um país considerado um dos melhores para se viver no mundo e que tem no turismo sua maior fonte de receita podia ser tão rigoroso e demorado na liberação de visitantes. Parei por ter percebido que era, exatamente, por serem tão minuciosos e seletivos na admissão de visitantes que o país se mantinha tão bom assim. Contei minha conclusão para o oficial e ele sorriu concordando, mas me achando meio estranho.

Mesmo já liberado continuei conversando  com o oficial que me indicou os melhores lugares para visitar nas duas ilhas que compõe a Nova Zelândia, a Norte e a Sul, sempre insistindo que a parte bonita do país estava na Ilha Sul. Falávamos de rugby, da seleção neozelandesa, o All Blacks, é claro, de família, hobbies quando, para minha surpresa, ele começou a falar sobre a Copa do Mundo, comentando o alto nível de corrupção e o aumento explosivo da violência no Brasil, principalmente em áreas urbanas. Fiquei surpreso com seu grande conhecimento. Sabia muitas coisas em detalhes. Estava muito bem informado, muito mais que a grande maioria dos brasileiros. Se culturalmente havia me surpreendido, profissionalmente sua postura - sempre cortês, atencioso e prestativo independente da situação - também causou excelente impressão. Nos despedimos com um "Até breve", já que estaria de volta ao aeroporto em poucos dias retornando de Melbourne, e deixei a Migração.

Havia sido uma entrada quase "triunfal", mas finalmente estava na Nova Zelândia!
Saí da Migração às 06h30 e o dia já estava clareando.

Lição aprendida #2
O controle das fronteiras por equipe capacitada, cortês, atenciosa e prestativa, mas objetiva e firme, é fundamental para assegurar a qualidade de vida da sociedade.

Contraponto
Não bastasse a enorme carência de pessoas e equipamentos para patrulhar nossas fronteiras marítimas, aéreas e terrestres e a Receita Federal que promove regularmente a chamada "Operação Padrão" não com o intuito de fazer o que é seu dever, mas provocar longas filas e criar caos, o Itamaraty - que já havia aberto as fronteiras (ou porteiras) brasileiras para qualquer cidadão que viesse do Haiti ou para cidadãos julgados e condenados em outros países  - em sua recente circular no. 94443/375 libera a entrada de cidadãos vindos do Afeganistão, Irã, Iraque, Jordânia, Líbano, Líbia, Palestina, Paquistão e Síria praticamente sem analisar a concessão do visto por falta de funcionários. Isso às vésperas da Copa do Mundo e das Olimpíadas! Al-Qaeda e assemelhados agradecem.

O Exército Brasileiro tenta, há um bom tempo, conseguir verba para seu projeto de patrulhamento das fronteiras brasileiras, o SISFRON, e nada consegue. Enquanto isso, o governo federal autoriza a compra de caças suecos Gripen que, independente de análises técnicas, terão o mesmo futuro de seus antecessores, os F16, que pela baixa utilização (pouco adequados para patrulhar fronteiras) ficaram parados por falta de peças para manutenção até serem aposentados.
Sendo o Brasil o primeiro país em consumo de crack, o segundo em consumo de cocaína e, comprovadamente, rota do tráfico internacional de drogas, este projeto do Exército é mais que prioritário. Não sei se é por ignorância, incompetência ou má intenção, mas por que não priorizaram  o SISFRON  que foi concebido para detectar com rapidez e precisão pequenas aeronaves voando a baixa altitude, exatamente como fazem traficantes e contrabandistas?
Não me sai da cabeça a última cena do filme Tropa de Elite 2 - O Inimigo agora é Outro !

Até o próximo blog dia 29/5...

9 Comments

  1. Prof! É até repetitivo parabenizar né? Estamos na Nova Zelândia sem nunca ter ido. Até já gostei desses profissionais q provavelmente nunca verei… Por enquanto a tarefa é administrar a vontade de ler tudo de uma vez como um bom livro q a gente quer devorar… Quem sabe essa idéia se mantenha e as lições continuem de muitos outros lugares após esse. Infelizmente realidades bem distantes das nossas, o que me deixa triste como brasileira. Porém saber que a visibilidade está aumentando me faz acreditar q pode existir uma esperança… Parabéns! Saudades

    • Já estou preparando uma viagem para Detroit, que piorou muito, e para Calgary e Vancouver que estão entre as 10 melhores cidades para se viver no mundo. Assim terei mais assunto. Abs

  2. Sobre alfândega, lembrei de um post de alguém comentando o comportamento de um ‘agente federal’ em Cumbica, ‘confiscando sem comprovante’ 40 camisetas trazidas por adolescente ingênua das lojas de Miami…

  3. Sua aventura com a migração me fez lembrar a entrada em Amsterdã, em que a funcionária responsável pela verificação me pediu licença para fazer a revista e não se moveu até que eu disse que sim. Ao final, quando ela verificou que estava tudo em ordem, ela agradeceu pela minha colaboração!!! Estamos tão longe disso tudo.

    • O duro é que se dissermos “Ainda chegaremos lá!” o pessoal vai começar a comprar passagem para lá. Rsrsrs

  4. Parabéns Pelo post… realmente é tudo isso e um pouco mais.
    Tive uma experiência um pouco inusitada na NZ….
    Eu fiz o trajeto inverso, fui da Austrália para a Nova Zelândia, e como uma boa mochileira, deixei em minha mochila de mão uma maçã e um sanduíche de queijo, como precaução! rsrs
    Chegando na migração em Auckland, vistoriando minha bagagem, localizaram esses dois itens e como eu não havia os declarado anteriormente(ainda no avião), me levaram para uma sala reservada e lá me explicaram o que estava ocorrendo.
    Me deram 3 opções: a primeira foi prestar serviços a comunidade por 5 dias (eu tinha 15 na NZ e não quiz perder 5 trabalhando!), a segunda era pagar uma multa de NZ$ 1.500,00, mas minha grana não era muita para isso e a terceira era voltar pra casa!!! Fiquei com a 2ª opção porque me deram um prazo de 30 dias para pagar a tal multa. Chequei no Brasil quase junto com o boleto que enviaram para meu endereço, mas como havia torrado toda a grana, achei que um sanduíche de queijo e uma maça não valiam tanto! Não paguei….
    Por este motivo, NUNCA mais entro no país…. é mole?
    Lá não é Brasil!!!

    • Bom relato, Camila. Pena que o final não tenha sido feliz. Mas, seu caso mostra como é importante para eles a manutenção da Confiança. Uma quebra de confiança é pecado mortal!
      Tolerar uma quebra de compromisso implicaria em ter que criar burocracias para se prevenir, abrindo espaço para a corrupção.
      Nós, brasileiros, não entendemos esse rigor. Mas, eles sabem muito bem porque ele é necessário.

  5. Miguel é hora do contraponto. Na revista Veja desta semana, páginas 88 e 89, vemos o quanto somos diferentes e entendemos aquilo que você quer mostrar nesta viagem que fazemos com você todas as segundas e quintas-feiras. Se nada de errado acontecer nesta copa, fica definitivamente provado que Deus é brasileiro.

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